APEX I, Dossiê de Diagnóstico e Proposta de Solução
Autonomia na alimentação para quem perdeu a força da mão
Resumo visual do Dossiê Progressivo da equipe Dispositivo Assistivo 3D, do Projeto Integrador II da UniMax. O documento completo pode ser baixado abaixo.
Identificação do projeto
Título provisório: Dispositivo Assistivo 3D, engate modular para alimentação autônoma.
A equipe investiga por que pessoas com perda de força na mão têm dificuldade para comer sozinhas e, principalmente, por que tantos dispositivos assistivos acabam abandonados por quem os recebe.
Caracterização do contexto
A doença de Hirayama, ou amiotrofia monomélica, é a condição de referência do projeto.
Onde a doença age
Atrofia assimétrica na mão e no antebraço, em geral a partir da adolescência e mais frequente em homens.
O que é preservado
O braquiorradial costuma ser poupado. A pessoa leva a mão à boca, mas não segura o talher com firmeza.
Anos até estabilizar
Depois disso a sequela é permanente. A dificuldade acompanha todas as refeições, todos os dias.
Problema central
Formulado com a estrutura público, dificuldade, contexto e consequência.
Pessoas com atrofia de mão e antebraço, que preservam ombro e cotovelo, não conseguem segurar talheres com força e estabilidade nas refeições diárias, o que gera dependência de terceiros. Além disso, parte das soluções existentes é abandonada pelos próprios usuários.
Sintoma
Dificuldade visível para segurar o talher.
Problema
Perda de autonomia na alimentação.
Causas (hipóteses)
Atrofia dos músculos da mão e inadequação das soluções disponíveis.
O dado de Marketing mais relevante
Dos dispositivos assistivos são abandonados por completo, segundo pesquisa com 227 adultos (Phillips; Zhao, 1993). A pergunta passou a ser como fazer um dispositivo que a pessoa queira continuar usando.
Teste dos seis critérios
O enunciado passou em todos:
Públicos relacionados
Quem usa a solução nem sempre é quem paga ou quem indica.
Beneficiário
Pessoa com atrofia de mão e antebraço, com ombro e cotovelo preservados.
Usuário
O próprio beneficiário e, às vezes, o cuidador que ajuda a colocar o dispositivo.
Cliente ou pagador
Família, planos de saúde e serviços públicos de reabilitação.
Financiador
Editais de fomento, responsabilidade social e financiamento coletivo.
Parceiro
Terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, cursos da UniMax e associações de pacientes.
Triangulação de evidências
Método baseado em Minayo (2012): combinar técnicas e comparar visões sobre o mesmo fenômeno.
Literatura científica
Revisão concluída, com sete fontes documentais.
Entrevistas
Contato com o voluntário interrompido; reunião com Fisioterapia e Psicologia ainda não ocorreu.
Observação do uso
Depende do protótipo físico, que está em impressão.
Recorrências
Personalização como fator de adesão; perda de preensão com braço preservado.
Convergências
A solução deve focar a pegada, ser leve, simples e ajustada ao usuário.
Contradições
Peso ajuda no tremor, mas atrapalha na fraqueza; materiais de impressão 3D são porosos.
Lacunas
Relato de quem vive a condição, prevalência no Brasil, custo real e confirmação da postura da mão.
Até aqui, a pesquisa foi feita sobre as pessoas, e ainda não com elas. A escuta de usuários e profissionais é a prioridade da próxima etapa.
Aprendizados do diagnóstico
Revisão das hipóteses, diagnóstico em cinco frases e aprendizados do processo de modelagem.
| Hipótese inicial | Evidência favorável | Ressalva | Veredito |
|---|---|---|---|
| Autonomia: um engate 3D permitiria voltar a comer sozinho | Talher 3D sob medida com desempenho próximo ao do punho universal (Luo; Chen; Xie, 2022) | Público diferente e nenhum teste com usuários | Parcialmente sustentada |
| Personalização: reduziria o abandono | Opinião ignorada e desempenho ruim levam ao abandono (Phillips; Zhao, 1993) | Estudo antigo e com deficiências variadas | Parcialmente sustentada |
| Acessibilidade: baixo custo e produção local | Impressão 3D permite produção local e sob medida | Custo real ainda não calculado | Inconclusiva |
Diagnóstico em cinco frases
Investigamos a dificuldade de pessoas com atrofia de mão e antebraço para comer de forma autônoma, com a doença de Hirayama como referência.
Inicialmente acreditávamos que bastaria um talher adaptado, impresso em 3D.
Entretanto, as evidências mostraram que quase um terço dos dispositivos é abandonado, que força insuficiente é barreira para soluções passivas e que materiais de impressão 3D não devem tocar o alimento.
Identificamos como causas relevantes a perda de preensão com o braço preservado, soluções que ignoram o usuário e dispositivos que exigem força ou não acompanham a mudança de necessidades.
Portanto, nosso diagnóstico atual é que falta um dispositivo que substitua a pegada sem exigir força, use talheres comuns, seja fácil de trocar e seja construído com a participação do usuário.
Como a mão 3D foi modelada
Descartado pelo custo e pela exigência de um celular recente.
Três tentativas sem modelo utilizável.
A partir de uma imagem de referência da postura da mão, depois da interrupção do contato com o voluntário.
O modelo tem proporções aproximadas, e a postura ainda precisa ser confirmada com Fisioterapia.
Proposta de valor
O cliente não compra o atributo, mas o efeito que ele produz na vida.
Devolver a pessoas com atrofia de mão e antebraço a autonomia para comer sozinhas, usando os próprios talheres, com um dispositivo discreto, fácil de colocar e de trocar, que não exige força para segurar.
Confiança e autoestima nas refeições são efeitos possíveis, mas ainda não foram medidos. Serão tratados como hipóteses na APEX II.
Alternativas e solução preliminar
Cinco caminhos avaliados, um escolhido.
Punho universal
Solução padrão em reabilitação, mas com problemas de adequação. Será usado para comparação nos testes.
Prótese ou órtese sob encomenda
Custo inacessível para boa parte do público.
Suporte de braço
Resolve fraqueza de ombro e cotovelo, que não é o caso do público.
Talher adaptado impresso em 3D
Materiais porosos em contato com o alimento.
Engate modular impresso em 3D
Uma barra se apoia nos dedos e sai entre o polegar e o indicador; um clipe em U passa pelas costas da mão; um encaixe magnético recebe garfo ou colher comuns. O modelo digital está pronto e o protótipo físico está em impressão.
Relação problema e solução
Cada característica responde a uma evidência do diagnóstico.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Relação inicial, a ser revista na APEX II depois dos testes.
Saúde e Bem-Estar
Ampliar autonomia e qualidade de vida em uma atividade básica da vida diária.
Redução das Desigualdades
Produção local e de baixo custo pode tornar a tecnologia assistiva acessível.
Registro de decisões
Como as evidências orientaram as escolhas da equipe.
Evitar talher especial e problemas de higiene.
Custo alto e exigência de celular recente.
Gerar o modelo digital de uma mão real (Apêndice A).
Garantir acesso a profissionais e ao público.
Sem voluntário e sem sucesso na fotogrametria.
Troca fácil e fixação sem força de preensão.
Ter um MVP tangível para testar.
Próximos passos
O projeto segue, condicionado à pesquisa de campo.
- Entrevistas com pessoas com atrofia de mão e antebraço que preservem a mobilidade do braço
- Entrevistas com terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, incluindo a confirmação da postura da mão
- Reunião interdisciplinar com os cursos de Fisioterapia e Psicologia
- Levantamento da prevalência dessas condições no Brasil
- Cálculo do custo real de produção
- Verificação do desenho metodológico do estudo de Luo, Chen e Xie (2022)
- Teste do protótipo contra o punho universal, medindo usabilidade pela escala SUS
Referências
ABNT NBR 6023:2018.
- EBRAHEIM, N. Intrinsic minus & intrisic plus hand: everything you need to know. 2021. 1 vídeo. youtube.com/watch?v=76WIl1Vnlw0
- EBRAHEIM, N. Intrinsic minus and intrinsic plus hand. Orthopaedic Principles, [20--]. orthopaedicprinciples.com
- HASSAN, K. M.; SAHNI, H. Nosology of juvenile muscular atrophy of distal upper extremity. BioMed Research International, 2013. doi.org/10.1155/2013/478516
- HIRAYAMA, K. et al. Juvenile muscular atrophy of unilateral upper extremity. Neurology, v. 13, n. 5, p. 373-380, 1963. doi.org/10.1212/wnl.13.5.373
- LAY, S. et al. Monomelic amyotrophy (Hirayama disease). StatPearls, 2024. ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499913
- LONGATELLI, V. et al. USEFUL: a randomized controlled study. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation, v. 18, 2021. PMC7789525
- LUO, H.; CHEN, P.; XIE, W. G. Comparison of 3D printed assistant tableware and universal cuff. 2022. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36594140
- MINAYO, M. C. S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 3, 2012. arca.fiocruz.br/handle/icict/21158
- PHILLIPS, B.; ZHAO, H. Predictors of assistive technology abandonment. Assistive Technology, v. 5, n. 1, 1993. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10171664
Quer ler o dossiê completo?
O arquivo traz todos os quadros, apêndices e a formatação ABNT entregue na APEX I.