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APEX I, Dossiê de Diagnóstico e Proposta de Solução

Autonomia na alimentação para quem perdeu a força da mão

Resumo visual do Dossiê Progressivo da equipe Dispositivo Assistivo 3D, do Projeto Integrador II da UniMax. O documento completo pode ser baixado abaixo.

EquipeEnzo Mensatto Ferreira, Winicius Acioli e Agenor Ferreira de Campos Junior
Trilha temática5. Inclusão, Acessibilidade e Qualidade de Vida
FormatoProduto físico
DocenteProf. Douglas Turini Sanches
01

Identificação do projeto

Título provisório: Dispositivo Assistivo 3D, engate modular para alimentação autônoma.

A equipe investiga por que pessoas com perda de força na mão têm dificuldade para comer sozinhas e, principalmente, por que tantos dispositivos assistivos acabam abandonados por quem os recebe.

02

Caracterização do contexto

A doença de Hirayama, ou amiotrofia monomélica, é a condição de referência do projeto.

Mão

Onde a doença age

Atrofia assimétrica na mão e no antebraço, em geral a partir da adolescência e mais frequente em homens.

Cotovelo

O que é preservado

O braquiorradial costuma ser poupado. A pessoa leva a mão à boca, mas não segura o talher com firmeza.

1 a 2

Anos até estabilizar

Depois disso a sequela é permanente. A dificuldade acompanha todas as refeições, todos os dias.

03

Problema central

Formulado com a estrutura público, dificuldade, contexto e consequência.

Pessoas com atrofia de mão e antebraço, que preservam ombro e cotovelo, não conseguem segurar talheres com força e estabilidade nas refeições diárias, o que gera dependência de terceiros. Além disso, parte das soluções existentes é abandonada pelos próprios usuários.

Sintoma

Dificuldade visível para segurar o talher.

Problema

Perda de autonomia na alimentação.

Causas (hipóteses)

Atrofia dos músculos da mão e inadequação das soluções disponíveis.

29,3%

O dado de Marketing mais relevante

Dos dispositivos assistivos são abandonados por completo, segundo pesquisa com 227 adultos (Phillips; Zhao, 1993). A pergunta passou a ser como fazer um dispositivo que a pessoa queira continuar usando.

Teste dos seis critérios

O enunciado passou em todos:

RealRelevanteEspecíficoInvestigávelCompatívelSem solução embutida
04

Públicos relacionados

Quem usa a solução nem sempre é quem paga ou quem indica.

B

Beneficiário

Pessoa com atrofia de mão e antebraço, com ombro e cotovelo preservados.

U

Usuário

O próprio beneficiário e, às vezes, o cuidador que ajuda a colocar o dispositivo.

C

Cliente ou pagador

Família, planos de saúde e serviços públicos de reabilitação.

F

Financiador

Editais de fomento, responsabilidade social e financiamento coletivo.

P

Parceiro

Terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, cursos da UniMax e associações de pacientes.

05

Triangulação de evidências

Método baseado em Minayo (2012): combinar técnicas e comparar visões sobre o mesmo fenômeno.

7

Literatura científica

Revisão concluída, com sete fontes documentais.

Concluída
0

Entrevistas

Contato com o voluntário interrompido; reunião com Fisioterapia e Psicologia ainda não ocorreu.

Pendente, prioridade da APEX II
0

Observação do uso

Depende do protótipo físico, que está em impressão.

Pendente

Recorrências

Personalização como fator de adesão; perda de preensão com braço preservado.

Convergências

A solução deve focar a pegada, ser leve, simples e ajustada ao usuário.

Contradições

Peso ajuda no tremor, mas atrapalha na fraqueza; materiais de impressão 3D são porosos.

Lacunas

Relato de quem vive a condição, prevalência no Brasil, custo real e confirmação da postura da mão.

Até aqui, a pesquisa foi feita sobre as pessoas, e ainda não com elas. A escuta de usuários e profissionais é a prioridade da próxima etapa.

06

Aprendizados do diagnóstico

Revisão das hipóteses, diagnóstico em cinco frases e aprendizados do processo de modelagem.

Hipótese inicialEvidência favorávelRessalvaVeredito
Autonomia: um engate 3D permitiria voltar a comer sozinhoTalher 3D sob medida com desempenho próximo ao do punho universal (Luo; Chen; Xie, 2022)Público diferente e nenhum teste com usuáriosParcialmente sustentada
Personalização: reduziria o abandonoOpinião ignorada e desempenho ruim levam ao abandono (Phillips; Zhao, 1993)Estudo antigo e com deficiências variadasParcialmente sustentada
Acessibilidade: baixo custo e produção localImpressão 3D permite produção local e sob medidaCusto real ainda não calculadoInconclusiva

Diagnóstico em cinco frases

  1. Investigamos a dificuldade de pessoas com atrofia de mão e antebraço para comer de forma autônoma, com a doença de Hirayama como referência.

  2. Inicialmente acreditávamos que bastaria um talher adaptado, impresso em 3D.

  3. Entretanto, as evidências mostraram que quase um terço dos dispositivos é abandonado, que força insuficiente é barreira para soluções passivas e que materiais de impressão 3D não devem tocar o alimento.

  4. Identificamos como causas relevantes a perda de preensão com o braço preservado, soluções que ignoram o usuário e dispositivos que exigem força ou não acompanham a mudança de necessidades.

  5. Portanto, nosso diagnóstico atual é que falta um dispositivo que substitua a pegada sem exigir força, use talheres comuns, seja fácil de trocar e seja construído com a participação do usuário.

Como a mão 3D foi modelada

Início do projetoAplicativo pago de escaneamento

Descartado pelo custo e pela exigência de um celular recente.

17, 18 e 22/08/2026Fotogrametria no KIRI Engine

Três tentativas sem modelo utilizável.

17 e 22/09/2026Modelo gerado no Meshy AI

A partir de uma imagem de referência da postura da mão, depois da interrupção do contato com o voluntário.

AprendizadoNão depender de um único voluntário

O modelo tem proporções aproximadas, e a postura ainda precisa ser confirmada com Fisioterapia.

Modelo 3D da mão gerado no Meshy AI
Modelo 3D da mão gerado no Meshy AI (Apêndice B do dossiê).
07

Proposta de valor

O cliente não compra o atributo, mas o efeito que ele produz na vida.

Devolver a pessoas com atrofia de mão e antebraço a autonomia para comer sozinhas, usando os próprios talheres, com um dispositivo discreto, fácil de colocar e de trocar, que não exige força para segurar.

Clipe nas costas da mãoSegurar o talher sem força de preensão
Encaixe magnéticoTrocar garfo e colher sem ajuda
Aceita talheres comunsComer com os próprios talheres
Não toca no alimentoComer com segurança e higiene
Impressão 3D sob medidaUm dispositivo ajustado à própria mão

Confiança e autoestima nas refeições são efeitos possíveis, mas ainda não foram medidos. Serão tratados como hipóteses na APEX II.

08

Alternativas e solução preliminar

Cinco caminhos avaliados, um escolhido.

Referência

Punho universal

Solução padrão em reabilitação, mas com problemas de adequação. Será usado para comparação nos testes.

Descartada

Prótese ou órtese sob encomenda

Custo inacessível para boa parte do público.

Descartado

Suporte de braço

Resolve fraqueza de ombro e cotovelo, que não é o caso do público.

Descartado

Talher adaptado impresso em 3D

Materiais porosos em contato com o alimento.

Escolhida

Engate modular impresso em 3D

Uma barra se apoia nos dedos e sai entre o polegar e o indicador; um clipe em U passa pelas costas da mão; um encaixe magnético recebe garfo ou colher comuns. O modelo digital está pronto e o protótipo físico está em impressão.

Modelo 3D do dispositivo com garfo encaixado
Dispositivo na mão, com garfo encaixado.
Peças separadas do dispositivo
Peças separadas: base com clipe, ímãs, garfo e colher.
09

Relação problema e solução

Cada característica responde a uma evidência do diagnóstico.

Braquiorradial poupado (Lay et al., 2024)Não sustenta o braço, só substitui a pegada
Força insuficiente é barreira (Longatelli et al., 2021)Clipe dorsal que dispensa força de preensão
Necessidades mudam (Phillips; Zhao, 1993)Encaixe magnético para trocar garfo e colher
Opinião do usuário ignorada (Phillips; Zhao, 1993)Cocriação e validação com usuários
Sequela estável (Hassan; Sahni, 2013)Pensado para uso diário e contínuo
Materiais de impressão 3D são porososNão entra em contato com o alimento
Talher 3D funciona tão bem quanto o punho universal (Luo; Chen; Xie, 2022)Impressão 3D personalizada como produção
10

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Relação inicial, a ser revista na APEX II depois dos testes.

3

Saúde e Bem-Estar

Ampliar autonomia e qualidade de vida em uma atividade básica da vida diária.

10

Redução das Desigualdades

Produção local e de baixo custo pode tornar a tecnologia assistiva acessível.

11

Registro de decisões

Como as evidências orientaram as escolhas da equipe.

Início do projetoEngate que segura talher comum, sem contato com o alimento

Evitar talher especial e problemas de higiene.

Início do projetoDescartar aplicativo pago e adotar fotogrametria

Custo alto e exigência de celular recente.

17, 18 e 22/08/2026Tentativas de fotogrametria, sem sucesso

Gerar o modelo digital de uma mão real (Apêndice A).

Agosto de 2026Buscar parceria com Fisioterapia e Psicologia

Garantir acesso a profissionais e ao público.

17 e 22/09/2026Modelar a mão no Meshy AI

Sem voluntário e sem sucesso na fotogrametria.

Setembro de 2026Encaixe magnético, barra na palma e clipe nas costas da mão

Troca fácil e fixação sem força de preensão.

Setembro de 2026Iniciar a impressão do protótipo físico

Ter um MVP tangível para testar.

12

Próximos passos

O projeto segue, condicionado à pesquisa de campo.

  • Entrevistas com pessoas com atrofia de mão e antebraço que preservem a mobilidade do braço
  • Entrevistas com terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, incluindo a confirmação da postura da mão
  • Reunião interdisciplinar com os cursos de Fisioterapia e Psicologia
  • Levantamento da prevalência dessas condições no Brasil
  • Cálculo do custo real de produção
  • Verificação do desenho metodológico do estudo de Luo, Chen e Xie (2022)
  • Teste do protótipo contra o punho universal, medindo usabilidade pela escala SUS
Ref.

Referências

ABNT NBR 6023:2018.

  1. EBRAHEIM, N. Intrinsic minus & intrisic plus hand: everything you need to know. 2021. 1 vídeo. youtube.com/watch?v=76WIl1Vnlw0
  2. EBRAHEIM, N. Intrinsic minus and intrinsic plus hand. Orthopaedic Principles, [20--]. orthopaedicprinciples.com
  3. HASSAN, K. M.; SAHNI, H. Nosology of juvenile muscular atrophy of distal upper extremity. BioMed Research International, 2013. doi.org/10.1155/2013/478516
  4. HIRAYAMA, K. et al. Juvenile muscular atrophy of unilateral upper extremity. Neurology, v. 13, n. 5, p. 373-380, 1963. doi.org/10.1212/wnl.13.5.373
  5. LAY, S. et al. Monomelic amyotrophy (Hirayama disease). StatPearls, 2024. ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499913
  6. LONGATELLI, V. et al. USEFUL: a randomized controlled study. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation, v. 18, 2021. PMC7789525
  7. LUO, H.; CHEN, P.; XIE, W. G. Comparison of 3D printed assistant tableware and universal cuff. 2022. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36594140
  8. MINAYO, M. C. S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 3, 2012. arca.fiocruz.br/handle/icict/21158
  9. PHILLIPS, B.; ZHAO, H. Predictors of assistive technology abandonment. Assistive Technology, v. 5, n. 1, 1993. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10171664

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